Fonte: Folha de Boa Vista   -  12/07/2013 00h19

http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=155417

 

EXCESSO DE PESO PREJUDICA PAVIMENTO DA BR -174

 

SUEDA MARINHO

Excesso de cargas transportadas por caminhões nas rodovias brasileiras é uma das maiores causas da deterioração dos pavimentos. Em Roraima não é diferente. Muitos caminhoneiros transportam cargas na BR-174, que liga Boa Vista a Manaus (AM), ultrapassando os limites legais da carga por eixo. Esta prática constitui uma ação criminosa e causam prejuízos anuais de R$ 1,5 bilhão aos cofres do governo, segundo o Ministério dos Transportes. Mas não há balança em Roraima para fiscalizar pesos dos caminhões em Roraima.

 

O problema costuma ser visto apenas pelo lado da receita adicional com a sobrecarga, os aborrecimentos com a fiscalização e com as multas. Segundo o presidente da Cooperativa dos Transportadores Autônomos de Cargas do Norte (Coopertan), Milton Souza, há também que se levar em consideração o valor do frete. Devido à defasagem do valor por tonelada, muitos caminhoneiros se arriscam a transportar cargas além do limite permitido. “O valor do frete por tonelada é de R$ 160,00, isso de Manaus para Boa Vista. Da Capital para Manaus, quando há frete, o valor é bem mais baixo: R$ 80,00”, explicou.

 

Conforme o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Reginaldo Conrado, o excesso de carga nos caminhões prejudica seriamente toda a malha rodoviária. Por possuírem um limite de suportabilidade, as estradas acabam sofrendo deformações, fissuras e até rupturas no pavimento devido a essa prática. “A vida útil das rodovias é calculada pelos engenheiros em cima de uma quantidade ‘xis’ de peso. Quando esse peso limite não é respeitado, acaba prejudicando os trabalhos dos próprios caminhoneiros”, destacou o inspetor.

 

De acordo com os dados do Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR), para uma vida útil média de projeto de 10 anos, quando as rodovias são submetidas a um excesso de apenas 10% de carga por eixo, há uma redução na vida útil de 56%. Ou seja, quando há apenas 10% de sobrecarga nos veículos, os custos de recuperação da via dobram.

 

Balança do posto de Jundiá apresenta constante problema, impedindo pesagem de caminhões

 

 A única balança que existe no Estado para fazer o trabalho de pesagem das cargas está localizada no trecho sul da BR-174, no Posto de Jundiá, no Município de Rorainópolis, na divisa com o Estado do Amazonas. Conforme o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Reginaldo Conrado, caso houvesse um eficiente controle do peso das cargas, após a reabilitação de um trecho de rodovia o Estado não precisaria recapeá-la novamente num período curto de tempo.

 

A fiscalização acaba sendo realizada no Posto da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) em Jundiá. Conforme o presidente da Coopertan, Milton Souza, a balança do posto vive mais quebrada do que em uso. Em razão disto, os agentes da PRF acabam realizando a fiscalização por meio da nota fiscal. “Além de conferirem o peso da carga apenas pela nota fiscal das cargas, de 10 caminhões que passam pelo local, os agentes escolhem um para fiscalizar. Acaba também não havendo controle em relação à entrada de mercadoria no Estado”, disse o presidente.

 

O inspetor da PRF confirmou a informação de que a fiscalização é feita através da nota fiscal e por amostragem. Mas disse que já foi repassada ao Ministério dos Transportes a necessidade de aquisição do instrumento para pesagem dos caminhões.  Enquanto isso a fiscalização continuará a ser realizada no Posto de Fiscalização do Jundiá.

 

Conrado explicou que o limite de cargas para tráfego nas rodovias federais depende dos tipos de veículos. No caso de constatada irregularidade, ele disse que são aplicadas multas, cujo preço pode variar de R$ 250,00 a R$ 15 mil, ficando ainda o veículo retido até ser realizado o trabalho de transbordo do excesso da carga.

 

DNIT – A Folha tentou entrar em contato por telefone com Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) para falar sobre o assunto, mas nenhuma das ligações realizadas foram atendidas. (S.M)